sábado, 18 de junho de 2011

Recital de Lançamento do CD "A Música para Flauta de Francisco Mignone" 1/7/2011 às 20:00h



Recital de Lançamento do CD triplo
A Música para Flauta de Francisco Mignone

Sexta-feira, 1º de Julho de 2011, às 20:00
Sala Vera Janacópulos UNIRIO
Av. Pasteur, 296, Urca, Rio de Janeiro

Entrada Franca


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Programa

Céo do Rio Claro (1923)
Passarinho está cantando (1952)

Sérgio Barrenechea, flauta – Clayton Vetromilla, violão

Sonata para flauta e oboé (1970)
I. Vivo, quasi preludiando
II. Molto Lento
III. Quasi Ária

Sérgio Barrenechea, flauta – Luís Carlos Justi, oboé

Seis Peças para quatro de flautas (1984)
I. Ária
II. 5/8 tem vez
III. Pausa
IV. Minueto irriquieto
V. Gavotta
VI. Divertimento

Sérgio Barrenechea, Larena Franco Araújo, Felipe Braz da Silva e Luíza Braga de Moura, flautas

Suíte para flauta e piano (1949)
I. Ária
II. Minuetto
III. Sarabanda
IV. Siciliana
V. Salterello

Duo Barrenechea
Sérgio Barrenechea, flauta – Lúcia Barrenechea, piano

Todas obras são de autoria de Francisco Mignone (1897-1986)

Comentários extraídos do encarte do CD triplo
A Música para Flauta de Francisco Mignone”

Apesar do público contemporâneo associar a figura de Francisco Mignone (1897-1986) ao ideal nacionalista e principalmente à sua música para piano solo, sua produção é bem diversificada, compreendendo de obras sinfônicas à ópera, de canções à música de câmara em estilos e tendências estéticas variadas.
Sua contribuição ao repertório para flauta transversal, a despeito de ser ainda pouco conhecida, pode também ser considerada importante não somente por apresentar grande número de obras que incluem a flauta, mas também pela maneira inventiva em que este instrumento é utilizado, freqüentemente exigindo habilidades virtuosísticas do executante. Mignone compôs mais de trinta obras para música de câmara, entre originais e transcrições, que incluem a flauta transversal. Provavelmente esta predileção pelo instrumento se deve ao fato de seu pai, Alfério Mignone,[1] ter sido um flautista profissional e de Francisco Mignone também ter tocado este instrumento na juventude.
Esta antologia de gravações apresenta parte deste repertório e inclui, seguindo a tendência do compositor, algumas transcrições e adaptações de obras originais para outras formações, feitas especialmente para esta oportunidade. Este repertório é representativo da produção de Mignone ao apresentar as características estilísticas que caracterizaram sua trajetória composicional: 1) música popular composta sob pseudônimo de Chico Bororó, 2) eurocentrismo e neoclassicismo sem intenção nacionalista explícita; 3) nacionalismo; 4) dodecafonismo e procedimentos seriais; 4) síntese, na maturidade do compositor, de duas ou mais características mencionadas.

Música popular: Chico Bororó
Das obras populares compostas na juventude sob o pseudônimo de Chico Bororó,[2] foi selecionada a valsa-choro Céo do Rio Claro, por ter sido gravadas por seu pai, em 1930, tocando a parte melódica principal na flauta. Apesar de ter sido composta anteriormente, essas e outras obras de Chico Bororó foram gravadas pelo selo Parlophon que registrou neste período dezenove composições de Mignone, muitas com a Orquestra Paulistana dirigida e regida por seu pai.

Música nacionalista

A peça Passarinho está cantando foi composta em 1952 para violino e piano. Nesta obra, Mignone combina elementos da música brasileira em um breve quadro descritivo do título. Considera-se que o compositor concebeu a parte de violino com um idioma flautístico. Talvez por isso a adaptação tenha sido tão bem sucedida.

Música atonal
A Sonata para flauta e oboé de Mignone, composta em 1969, é dedicada a dupla Zacharias Valiatti e Walter Bianchi.[3] Neste projeto, foi utilizada a segunda versão da mesma obra realizada pelo compositor em 1970, escrita em três movimentos: Vivo quasi preludiando, Quasi Ária e Allegro. A principal modificação entre a primeira e a segunda versão é a troca de posição entre o primeiro e terceiro movimentos. [4]

Música da maturidade
A formação quarteto de flautas se tornou bem popular nos anos 1970 e 1980 no Brasil. Mignone contribuiu com seis peças para esta formação Ária, 5/8 Tem Vez, Pausa, Gavotta, Minuetto Irriquieto e Divertimento. As cinco últimas aparecem listadas como 5 Peças para quatro flautas, atribuição de título, que parece ter sido póstuma, similar à realizada no caso das 3 Peças para flauta e cordas, pois o título não conta dos manuscritos. É interessante notar que Ária, do mesmo período e com uma escrita similar, não consta nos catálogos e listagens de obras do compositor. Esta situação é comum no repertório de Mignone, assim como a situação inversa: obras que estão listadas nos catálogos, mas com partitura desaparecida. Para essa apresentação, optou-se pelo agrupamento destas seis obras com o título de 6 Peças para quatro flautas.

Música neo-clássica
A Suíte para flauta e quarteto de cordas representa o trabalho mais importante de Mignone para a formação flauta e cordas e provavelmente assinala uma tendência do compositor na direção de uma música mais abstrata em oposição à sua tendência nacionalista anterior. A obra foi escrita durante o período de crise do compositor que parece refletir sua busca por novos caminhos. Esta moldura neoclássica oferece a Mignone a chance de escrever uma suíte dedicada ao seu pai, o que talvez justifique algumas das suas características mais conservadoras e a inclusão de formas de danças de origem italiana. A Suíte tem cinco movimentos (Ária, Minuetto, Sarabanda, Siciliana e Saltarello) onde o tratamento brilhante dado à escrita para flauta a faz pairar acima das cordas e a linguagem combina um ambiente harmônico romântico com gestos tirados do impressionismo francês. A transcrição para flauta e piano é do próprio compositor.

O projeto deste CD triplo é fruto de pesquisa realizada na UNIRIO, coordenada pelo Prof. Sérgio Barrenechea, e teve o imprescindível apoio financeiro da FAPERJ, possibilitado pelo Edital de Apoio às Artes de 2008. Este produto artístico, constituído de uma coletânea de três CDs com repertório que em sua maior parte está sendo registrado pela primeira vez, buscou resgatar obras relevantes da literatura para flauta na música de câmara de Francisco Mignone, tentando contribuir assim para a sua divulgação entre o público e músicos interessados em sua performance, O projeto contou com um grupo de músicos de notória excelência artística, estudantes dedicados e pesquisadores de notória competência, todos ligados de alguma forma ao Instituto Villa-Lobos da UNIRIO.

Agradecimentos:

Maria Josephina Mignone, Flávio Silva (FUNARTE), FAPERJ, Elione Medeiros, Fernando Silveira, Hugo Pilger, Lúcia Barrenechea, Luís Carlos Justi, Carlos Prazeres, José Benedito Viana Gomes, Nilton Antonio Moreira Jr., Felipe Braz da Silva, Kamilla Thaís do Nascimento, Luíza Braga Moura, Pedro Barrenechea, Miguel Barrenechea.



[1] Alfério Mignone, flautista italiano radicado em São Paulo, foi membro fundador da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo e professor no Conservatório Dramático e Musical, atuando na cena musical paulista de 1896 até os anos 1950.
[2] Aluísio de Alencar Pinto discute a produção de Chico Bororó no capítulo “Francisco Mignone e a música popular brasileira.” In Mariz, Vasco ed. (1997). Francisco Mignone: o homem e a obra. Rio de Janeiro: FUNARTE/Editora UERJ, 1997, pgs 137-146. 

[3] Zacharias Valiatti (1922-1994) professor de flauta no Departamento de Música da UFRGS em Porto Alegre e Walter Bianchi (nascido em 1923) oboísta e professor do instrumento em São Paulo, ambos descendentes de italianos.
[4] Esta versão tem uma gravação disponível na Internet de Celso Woltzenlogel e Paolo Nardi pelo endereço http://sites.google.com/site/flautistacelsowoltzenlogel/Home/indice